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A neurociência do comportamento

 O comportamento humano é um dos assuntos mais estudados pela neurociência contemporânea. Mesmo porque, dada a importância do tema e as múltiplas interpretações que encontramos sobre ele, a discussão nesse campo se torna especialmente interessante. É comum que o comportamento seja a porta de entrada para que um indivíduo possa ser analisado. Cada dia, desconfiamos mais dos questionários autorrespondentes e confiamos mais em estratégias que analisem as pessoas a partir de seus comportamentos e reações. Para o recrutamento de pessoas e para o treinamento e desenvolvimento delas, a análise do perfil comportamental e os desdobramentos que essa análise permite são muito importantes.


Mas o estudo sobre o funcionamento cerebral promete uma revolução nesse campo. Estamos cada vez mais próximos do desenvolvimento de técnicas de altíssima precisão para a análise do comportamento baseada no funcionamento cerebral. Há muitas tentativas de associar determinadas áreas cerebrais a características do comportamento. Funções como atenção, disciplina e habilidades emocionais já estão sendo avaliadas em exames funcionais do cérebro. Porém, o caminho mais promissor parece nos levar diretamente à incorporação de muita tecnologia diretamente na estimulação cerebral para o desenvolvimento de determinados comportamentos. E quando eu digo diretamente é diretamente mesmo: implante de chips, estimulação magnética, medicamentos desenvolvidos diretamente para esse fim e a tão sonhada conexão de cérebros entre si e com máquinas.


Algumas estratégias já estão sendo empregadas. Uma que considero bastante promissora é chamada de neurofeedback. Por meio da verificação da atividade cerebral via eletroencefalograma (comumente empregado em medicina), pode ser aplicado um protocolo de estimulação por imagens e sons que modifica a forma como o cérebro atua em determinadas situações. Nesse caso, a qualidade dessa abordagem depende muito da formação do profissional, e é ainda um risco se submeter a essa ferramenta sem necessidade e acompanhamento específico. Já no futuro, o amadurecimento de tais técnicas pode impactar diretamente no treinamento e desenvolvimento no ambiente corporativo.


Outras estratégias parecem já ter fugido do controle da medicina, como é o caso do uso de medicamentos empregados para o tratamento de déficit de atenção por pessoas que precisam permanecer mais tempo atentas ou concentradas (vale dizer que esse uso se assemelha ao uso de drogas de abuso já banidas da sociedade, como as anfetaminas). A utilização dos chamados “aceleradores cognitivos” já pode ser vista em diferentes ambientes de estudo e trabalho.


Por mais controversa que a questão pareça ser, podemos afirmar que a neurociência descobriu que os nossos cérebros são maleáveis e se moldam de acordo com a relação entre a nossa carga genética e os estímulos que recebemos no ambiente em que vivemos. Cabe a nós, por meio do autoconhecimento, investigar profundamente nossas capacidades e habilidades e buscar atingir o máximo da potencialidade do nosso cérebro.

http://www.profissionalenegocios.com.br/artigos/artigo.asp?cod_materia=618

 

 

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