Sala de Leitura


Em favor do perfume de mulher

Em 2005, uma declaração bombástica do reitor da Harvard University fez tremer o chão. Ele afirmou que a discriminação em relação às mulheres na ciência não podia mais ser usada como argumento para os indicadores que mostravam que os homens continuavam sendo a esmagadora maioria de cientistas, em especial das chamadas ciências naturais. Lawrence Summers declarou que a razão pela qual as mulheres não ocupavam seus lugares nas academias de ciências se devia à pura incompetência biológica. Steven Pinker, um famoso linguista a quem particularmente devoto admiração, saiu em socorro de Summers quando as feministas se posicionaram contrárias a tais declarações. Procurando argumentos científicos para explicar as diferenças que Summers apontou, Pinker levantou três possíveis razões: 1) a descriminação feita pelos homens que adoram manter o “clube do Bolinha”; 2) a existência de diferenças biológicas que são agravadas e reforçadas por diferenças culturais; e 3) o compromisso com a família e o desenvolvimento das crianças, que são inegavelmente colocados somente sobre os ombros das mulheres.

Nossas executivas sentem essa mesma pressão. Nossa cultura latina e cristã ainda agrava essa condição. É muito comum encontrar mulheres enfrentando o dilema “cargo versus família”. Com novas possibilidades criadas pelo avanço da medicina, muitas estão optando por ter filhos cada vez mais tardiamente. Mas será que essa é uma boa opção? Será que não seria melhor poder iniciar a família perto dos 30 anos? Mas o dilema é justamente esse. Na carreira executiva, esses são os anos em que uma profissional deslancha. Atrasar o tempo de ter filhos parece ser a única opção. Mas as consequências poderão ser sentidas depois. Nessa mudança de costumes, vão acabar por somar o tempo de cuidar dos filhos com o momento de cuidar dos pais. Vão permitir que seus filhos sejam criados por terceiros. Nessas horas, quando alguma coisa dá errado, são obrigadas a abandonar carreiras nas quais investiram toda a energia dos anos dourados.

Mas não são as mulheres que mais perdem com isso, apesar de serem muito prejudicadas. Quem mais sofre com esse sistema perverso são as próprias empresas, que não aproveitam aquelas características femininas que poderiam fazer uma enorme diferença se fossem empregadas em altos cargos de gestão corporativa. Vários estudos demonstram que as habilidades sociais e emocionais que parecem ser o calcanhar de Aquiles de toda empresa que precisa estimular o desenvolvimento comportamental de seus líderes e equipes são as reais habilidades diferenciais de uma mulher. Por uma diferença de natureza biológica ou cultural, mulheres costumam ser líderes muito mais eficientes para motivar e inspirar equipes. São também mais justas e procuram o desenvolvimento pessoal com olhos para o desenvolvimento coletivo. Qualquer que seja a razão para a distorção numérica entre homens e mulheres na ocupação de altos cargos, não deveria ser necessária a discussão sobre cotas que tramita em nosso congresso. As mulheres deveriam ser desejadas e disputadas mesmo quando precisam sair mais cedo para ir à reunião na escola das crianças ou levar seus pais ao médico. A eficiência delas e o alto comprometimento compensam isso facilmente. 

 

 

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